sexta-feira, março 25, 2011

Soneto


Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranquilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se trasfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

Vinicius de Moraes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

No meu espaço, você tem a liberdade total para comentar.
Peço, somente, bom senso ao usar as palavras.